segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O Deus das Bruxas


A imagem tradicional da deidade na Bruxaria é apresentada por meio de uma Deusa tríplice e um Deus chifrudo, formando mais um exemplo de casal divino muito comum em várias culturas como atestam Isis e Osíris, Ártemis e Dionísio....

O Deus representa 3 aspectos, o primeiro e mais antigo é o Cornífero, o Deus da floresta, representando a natureza indomável de tudo que é livre, esse aspecto surge no estágio da existência do ser humano onde ele ainda era um caçador-coletor. Em seguida temos o Senhor da colheita que reflete a natureza cultivada pelo homem assinando o estágio agrícola da humanidade. Ele é também O Antigo pela visão do presente estágio da civilização humana (definido pela criação de cidades).


Figuras divinas neolíticas encontradas na área onde em outros tempos situava a antiga Europa datadas por volta de 4.300 a.C (embora existam figuras muito anteriores da região sul e oeste da Europa mas não são associadas a cultos formalizados) relatam figuras masculinas com chifres. A mais antiga imagem do Deus com chifres apresentava chifres de um alce, nessa forma ele representava o Senhos das florestas, abastecendo a vida humana e animal. Essa forma de Deus foi cultuada até a transição para agricultura. A medida que o homem se estabelecia, deixava de ser nomade caçador para se firmar em um determinado local para cultivar plantações e prover o prórpio sustento. Nessa época eles também desenvolviam a domesticação de animais, então bodes assumiram maior importância e substituiram o símbolo do alce. Assim o Deus assumiu outros aspectos refletindo o desenvolvimento da compreensão dos humanos que já não eram os primitivos habitantes de florestas, sem deixar de lado a natureza selvagem como atestam os chifres de touros e bodes assim como outros atributos, com o exemplo de Pã, Dionísio, Cernunnos.. ele foi conhecido por muitos e muitos nomes em diferentes culturas.


Um exemplo de imagens herdeiras do grande Deus das florestas era a de Dionísio, que era segundo historiadores de origem pré-indo-europeia de grande antiguidade e símbolo da renovação e virilidade, os chifres de touro carregados por Dionísio e posteriormente os de bode são sua ligação com ritos lunares da Antiga Europa (chifres em formato de lua crescente), bem como seu papel de filho divino e amante incestuoso da Grande Mãe. Dionísio era consorte de Ártemis confirmando sua essencia silvestre, então ele provavelmente possuiu chifres de alce em outros tempos mais antigos.


As mais antigas formas divinas são associadas ao brotar e fenecer da vegetação, tema de primeira importância para as sociedades que dependiam disso, tanto os mais primitivos quanto os mais modernos seres humanos. O que acontece hoje é uma distanciação do homem com a natureza dando uma falsa impressão de separação, não temos contato com o desenvolvimento do que comemos por isso nosso sustento parece ter nascido no supermercado!


Todos esses dogmas relacionados com a reencarnação e renascimento são encontrados nos cíclos vegetais, nas estações do ano, migrações de animais, que são simplesmente os amplificadores dos poderes místicos da natureza. é daí que surge o mito do Deus que fertiliza, morre e renasce de sua mãe, sua eterna amante.


É interessante notar que o mal absoluto, representado pelo diabo na religião dominante seja idealizado como um ser com chifres assim como o Deus chifrudo cultuado por milênios.. isso pra mim acima de tudo se chama despeito!


Um comentário:

Anônimo disse...

Despeito sim.
Até porque, Pan é sexy prá caramba!
Quero te agradecer o carinho.